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DO MERCOSUL À LATINOAMERICANIDADE : A TRAJETÓRIA DA PSICOLOGIA
Apresentação em Mesa Redonda do II Congresso Norte e Nordeste de Psicologia - Salvador - Brasil

Resumo

Pensar a Psicologia no contexto do processo de integração Regional do Cone Sul (Mercosul), nos coloca diante da necessidade em dirigirmos um olhar para a realidade local, observando as identidades e diferenças que constituem a história desses povos e nações, além de situarmos essa dinâmica dentro de um espaço globalizado e produtor de desigualdades. Para que possamos entender esse processo chamado de Globalização é necessário darmos um passeio pela história e seus reflexos para as economias e os povos em geral. Depois de 1989, o mundo passou por um processo ágil de transformação. O conflito Leste-Oeste chegou ao fim. O resultado foi e é a constituição de um mundo que se apresenta de uma forma global. O globo, sobre o qual tudo se passa, não está mais dividido por ideologias, muros ou sistemas. Tudo que se passa nele é possível de ser conhecido. O nacional através do regional, agora chegou ao global. Com isso iniciou-se um novo pensamento de relações globais. Essa é uma experiência geral. Necessitando ser entendida em um contexto na qual o mundo se transforma de uma forma dinâmica e desorganizada. O global não é apenas um estado, o global é também para a política, a economia, a ciência e a cultura, um desafio que exige organização ordenadora e muita criatividade para que possamos trabalhá-la sobre todos os seus aspectos de forma a que não se configure em um processo de desindentificação. O global contém também uma falsa idéia de uma nova sociedade e uma nova ordem mundiais, e cujo desenvolvimento se dará no próximo milênio. Dessa forma adquire o global, um aspecto psicológico adicional. Paralelamente ao processo de globalização surgem iniciativas de integração regional. O nacional sozinho não é mais suficiente para representar interesses no mundo que se tornou global. As fronteiras nacionais transformam-se em linhas demarcatórias no mapa global. Elas não mais separam mas unem e com isso surgem praticas de cooperação regional definidas em acordos. No contexto do Cone Sul, surge uma união aduaneira, instituída pelo Tratado de Assunção em 26.03.1991, formada pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguay, com o objetivo de promover o desenvolvimento inicialmente desses países mediante a conformação de um espaço econômico ampliado, e que pudesse ao longo do tempo ampliar seus objetivos para a livre circulação de bens, serviços e fatores de produção. Projetando ainda, para a constituição de um espaço aglutinador e acolhedor dos demais países americanos do hemisfério sul, capaz de consolidar uma integração que observe as muitas identidades e o processo sócio-histórico nacional e regional. Dez anos após a constituição do Mercosul, vemos dificuldades decorrentes das constantes crises, reflexo de uma economia mundial desordenada e sustentadora de dependências, com abalos na estrutura do projeto de integração para a região. A pressão americana para a imediata instalação da ALCA, através de propostas falsamente sedutoras, também tem funcionado na desagregação, e, distanciando os possíveis candidatos para outras direções até certo ponto contrarias aos seus interesses. Nesse quadro de incertezas, torna-se fundamental pensarmos uma Psicologia voltada para a defesa dos interesses dos povos latino-americanos, conectada com seus anseios, e capaz de se constituir enquanto saber, como instrumento para a transformação dessa realidade moldada durante anos, dentro de uma história cruel de dependência. O que estamos propondo talvez seja um processo distinto de integração. Processo esse que inverta e subverta, que tente e invente, que rompa e interrompa, que crie e construa, mas também que considere e inclua todos os atores sociais, dentre eles, os historicamente alijados e desqualificados, logo dinâmico e eficiente, sólido e capaz de responder às reais necessidades, e transformador no seu conteúdo. E a Psicologia a ver com isso?

Miguel Angel Cal Gonzalez
   
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